
Estou aqui no aeroporto internacional do Rio de Janeiro. Era garoto quando vinha aqui. Hoje é um retrato do descuido. Um calor horroroso. Estar de terno e gravata dentro de um lugar desses não é realmente uma boa idéia. Mas trabalho é trabalho. Sinto-me todavia feliz hoje, em parte porque recebi, enfim, três meses atrasados de salário. Sentei-me aqui a escrever e entrou no meu MSN o Jorginho, que hoje vive na Austrália. Conversamos em inglês e vi que meu domínio da língua não está tão mal. Aliás, não me vangloriando, a tarefa foi facilitada porque o casal que estava ao meu lado tinha livros de cursinho abertos sobre a mesa e estavam soletrando as palavras como iniciantes. Ah! Essa nossa velha mania de nos comparar a tudo e a todos. Como fazemos isso a todo tempo e em todo instante. A conversa não foi mais agradável por um motivo só: tomei uma repreensão à distância. Literalmente, partiu do outro lado da terra. E não foi sem razão. Falei a Jorge de uma irmã nossa, a Irene, que está padecendo necessidades. Sim, Irene sofre. Irene foi líder, é mãe solteira. Pecou, sim, pecou, mas nós temos uma péssima mania de aumentar ainda mais o fardo de quem peca. A matemática, desagradável, e mesmo desumana da igreja (nela me incluo), é a seguinte: Jesus alivia, a gente aperta! Contei a Jorge de seu drama. Meses atrás, quando Jorge partiu, Irene tinha alguém que cuidasse dela. Ele era seu amigo. Seu cuidador. Hoje, que sei mais de perto do drama da Irene, sinto-me melancolicamente doído. Dói-me saber que nem orei por ela ontem na igreja, no corre-corre (ela me pediu dez minutos, eu dei poucos). Era o mínimo que poderia fazer (na verdade, no íntimo, pensamos que é tudo o que podemos fazer). Jorge disse uma coisa que me emudeceu. Feriu meu "orgulho de discipulador", de "sabedor de muita coisa", de “servo humilde”. Que contra-senso! A repreensão valeu-me uma bruta azia, um incômodo inquietante de não estar fazendo absolutamente nada pela menina neste momento. Caramba! Doeu. Tá bom! Eu digo o que ele disse – sei que você deve estar louco para saber. Jorge disse: -- Irene não precisa de pessoas que pensem que ela está bem. Irene precisa de pessoas que cuidem dela para que ela esteja bem. Abalou, Jorginho! Jorginho do Espírito Santo. Você foi usado. Misericórdia de mim, Deus, porque não orei por minha irmã ontem. E olha que quero ser pastor! Ao menos (envergonho-me) vou orar hoje. Agora, aqui no aeroporto. Afinal, Deus ouve à distância! Principalmente quando o povo dele está espalhado por toda a terra. Pior ainda quando um simples e-mail, scrap, ou mensagem no messenger podem fazer uma diferença enorme. Perdão, Senhor.
3 comentários:
Isso só mostra como devemos estar sempre atentos ao que Deus quer falar conosco, em qualquer lugar, a qualquer hora...e que nós mesmos devemos avaliar-nos e ver se nós estamos dando a devida atenção ao que nossos irmãos necessitam, pois como o Flávio certa vez me ensinou, o Amor Cristão é pura e simplesmente obra, e não sentimentos.
Jorge é um cara bacana, tive pouco tempo com ele mas percebi que era alguém q ama o Senhor. Assim como tu....então, por causa desse amor [q na verdade é dele, e não nosso] vamos orar juntos pela nossa irmã...
valeu brow, te amo!
"A matemática, desagradável, e mesmo desumana da igreja (nela me incluo), é a seguinte: Jesus alivia, a gente aperta!"
As vezes me vejo nessa situação, de apertar.. e o que realmente faz a diferença, é quando nós entendemos o outro e compadecemos da sua carga..
Posso deixar aqui um texto q li num livro??rsrs ja deixei huahua
"Às vezes quando chamo uma pessoa para ir comigo numa prisão como voluntário, ela diz: 'Não, Ron, tenho medo. Não gosto de dar bobeira no meio de ladrões e assassinos'. Se essas pessoas realmente se sentem assim, então é melhor não irem para o céu, porque eu sei de pelo menos um ladrão que vai estar lá e também de alguns assassinos!".
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