segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O belo não é ser bonito... Nem feio. O belo é ser humano.

Dez para uma da manhã. Estou aqui, insone, de frente para meu pc, ouvindo o Jornal da Globo ao fundo e pensando sobre esse título que está martelando minha mente desde ontem. Não sei se você já notou -- posso estar enganado e você pode me corrigir --, mas nenhum dos livros do Novo Testamento trata, em momento algum, sobre a beleza humana. Não há belas mulheres nem belos homens. O Antigo, por sua vez, exalta homens belos e musas inspiradoras de beleza. Que o digam os belos Saul e Absalão e a linda Rebeca, que encantou o prometido Isaque. No Novo isso parece que não era importante. Deixa-se quase entender que não existe pode existir ser mais belo que Jesus. Se você colheu também esta impressão, que bom. Tenho encontrado beleza onde só há espanto e aparente desesperança. Tenho encontrado o belo onde o mundo vê tudo feio e também tenho notado a feiúra daquilo que dizem ser bonito. Jesus não era nem bonito nem feio. Jesus era belo. Isso lhe bastava. O belo ser humano chamado Jesus trazia beleza, graça e verdade por onde quer que passasse. Isso incomodava os feios que se pensavam bonitos. As palavras de Jesus são belas porque o seu ser é belo.
Outro dia me abati com a morte de uma menina nova que rendeu-se à tirana exigência que a beleza do mundo nos impõe. Chorei sua morte. Chorei por sua mãe. Era sua única filha. Como esse nosso mundo está feio! Cada vez menos humano. Cada vez menos belo. Lembro de um antigo hino que meu pai costumava cantarolar em casa: "Que a beleza de Cristo se veja em mim". Que verso feliz. O mundo precisa da beleza de Cristo. A beleza humana. Do ser humano restaurado e pleno que encontra uma razão para sua existência. Que não está preocupado com o tamanho de seu espólio após a morte. Ah! A morte. Essa é implacável. Ela não só é feia, é horrível. Não conheço um ser humano que em sua sã consciência veja alguma beleza em sua chegada. Não pode ser são, perdoe-me a franqueza. Mas a beleza de Jesus não poupou nem a morte. Jesus era tão belo que só poderia ser santo (estou furtando a idéia do BOFF, desculpe-me. Afinal é uma bela idéia), tão santo que só poderia ser humano. O humano de Jesus é o belo e ponto final. A beleza de Jesus é a vida para o outro. A vida necessária, que gera vida, que carrega vida, que conversa com a vida. A feiúra do desumano é a vida em si mesma, por si mesma e para si mesma. Darwin não estava certo (não falo de criacionismo). Não são os mais capazes que sobrevivem. É a beleza que mantém a existência. A beleza verdadeira é livre. Livre para ser feia, livre para ser bonita. Mas pode haver beleza na feiúra? Veja que não nego a existência do feio. O feio existe e não é bonito como lhe parece. Contudo, o que é belo, permanece belo, não importa como lhe vejam. Belo é ser como Jesus. Belo é ser humano.

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