

Responda sinceramente: você já se sentiu tentado a orar? Você diria que isso não existe e me lançaria de pronto a recomendação do irmão Paulo à comunidade de Tessalônica: Orai sem cessar. Isso é verdade. Mas nossa oração, quando não é pelo Espírito e no Espírito é vazia e sem sentido. Sem razão de ser. Já aconteceu isso com você? Às vezes somos tentados a orar. Orar o que queremos, orar como interpretamos a verdade, orar sem sentido, orar sem sentir. Orar é compartilhar a dor do outro. É vibrar com a conquista do outro como se fosse sua, como se fosse participação sua. Orar é orar conforme o anseio do outro. Um pai que deseja um filho voltando ao lar nunca oraria para que deus (ponho em letra minúscula porque este não pode com certeza ser um Deus com "d" maiúsculo) levasse seu filho. Essa oração seria: deus, resolva meu problema. Ponha um fim no outro. Não acredito nisso. Aprende-se muito com Davi e sua fuga do rebelde Absalão. A propósito, humanamente falando, o jovem estava repleto de argumentos para poder substituir seu velho e falido pai. Esqueceu-se de uma coisa: Davi não orava contra seu filho. Duvido que Davi tivesse levantado um clamor do tipo: mate-o Senhor, mate-o. Não combina com seu jeito de ser. Lembro que pediu a um de seus militares que poupasse o jovem Absalão. Digo isso para que cada vez mais percebamos e cresçamos no sentido de que orar pelo outro é orar sentindo a dor do outro. Carregar a culpa do outro é se dividir o peso com ele. É penetrar na vida alheia com paixão e identidade. Uma oração dessas não é uma tentação, mas um convite ao mergulho numa dimensão eterna. A oração tentadora é daquelas que se conformam com este mundo onde vivemos. A foto descreve melhor o que tentei lhe dizer em tantas palavras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário