Acabo de chegar do hospital. Meu filho, de seis meses, o Guilherme, a quem chamamos de Tico, está internado há dois dias por causa de um princípio de pneumonia. Eu estou aqui e minha esposa e as avós se alternam no cuidado daquele ser frágil e indefeso que sequer sabe como usar o seu corpo. Confesso que o tema proposto para este trimestre valeu-me uma boa quantidade de neurônios e, então, veio a inspiração enquanto pensava na minha mulher me abraçando, pedindo-me, em desabafo, para ir embora do hospital e ao mesmo tempo sabendo que não sairia de lá por nada nesse mundo. Diante desse quadro, vou polemizar: não existe essa coisa de mudança de papéis. Não sem que alguém saia no prejuízo e reine a desordem onde tudo poderia estar na mais perfeita harmonia, se observasse a vontade de Deus. Que me perdoem as mulheres workaholics, compulsivas por suas carreiras e que esquecem do dom materno que Deus lhes deu revelado no ventre e confirmado na intimidade da amamentação (fenômeno que só mãe e filho sabem o que significa e onde o pai torna-se mero espectador). Também não sou adepto do sexismo, não sou chauvinista, nem vou dizer que o lugar de mulher seja na cozinha, porque penso que isso nada tem que ver com ser ou não ser mulher. Há certa confusão entre papéis do homem e da mulher e o serviço sacerdotal que o marido presta à sua mulher seja varrendo o chão, limpando o banheiro, seja lavando roupa. Isso não tem nada a ver com o papel do homem ou da mulher. O livro de Gênesis narra a criação do homem e da mulher como o momento máximo da criação. O gran finale de Deus em sua capacidade criativa. Segundo a Bíblia, Ele fez o homem e compadecido de sua solidão criou-lhe a mulher para ser-lhe ajudadora idônea (ainda bem que a Bíblia não especificou em quais quesitos o homem necessitava de ajuda). Na verdade, Deus lhe fez a ajudadora idônea porque o percebera só. Então, ouso dizer que a primeira tarefa do sexo feminino era a de fazer companhia ao homem e não a de ser ajudadora. Ademais, penso seria pavoroso um mundo só de homens, não? Os dois foram verdadeiramente destinados a serem companheiros, e o foram até mesmo no momento da queda. Agora, volte comigo àquele quarto de hotel e pense: quem de nós, homens, desempenharia um papel melhor que o da mãe naquele instante de pura aflição da criança? Que lugar seria melhor que o aconchego do macio e quente seio materno? O que seria melhor do que a proposta de Deus para o homem? Creio que Deus deu o tom da feminilidade e da masculinidade, dotou o Adão de força para proteção, trabalho, desbravamento e recheou a mulher de candura, suavidade e delicadeza. Veja que quando falamos de sexo qualidades nos vem à mente. São qualidades, não especificações para o mercado de trabalho. De fato, no mercado de trabalho as mulheres tem se saído cada vez melhores que os homens e há algum tempo já lhes ameaçam as “posições”. Entretanto, ao mesmo tempo em que observamos seu sucesso no quesito posicionamento na vida profissional (e por que não tocar na grande polêmica: a carreira pastoral?) é triste saber que o número de mulheres que abrem mão da maternidade em função da carreira cresce em doses alarmantes; que as que tem filhos e querem manter a carreira delegam seu dom de mãe a babás, creches e avós (e às vezes aos maridos) e que, após a década de 60, na qual as mulheres orgulhosas deram um passo à independência retirando seus soutiens a fim de queimá-los no episódio que ficou conhecido como Bra-burning, passaram a morrer – e o número só cresce – de câncer no seio, no cólon do útero e principalmente de câncer de pulmão. Ora, tal constatação poderia levar os homens a defenderem a tese defensiva e machista de que isso ocorreu porque as mulheres jamais deveriam ter saído das escolas de etiqueta ou, numa visão mais leve da questão, não deveriam ter abandonado sua função de mãe. Trata-se de um questionamento, a meu ver, absolutamente equivocado. A mobilização feminista almejava a libertação da mulher pondo-a em pé de igualdade com o homem e banindo de vez o mito do sexo frágil. A mulher era apta – e realmente é – para ocupar diversas funções ocupadas pelos homens no mercado de trabalho, no governo e na vida. Contudo, a premissa é equivocada porque ninguém parou para refletir a respeito da situação do universo masculino. Será que os homens estavam certos em viverem somente para suas carreiras e negligenciarem suas famílias e esposas? Será que os homens estavam certos em morrer aos cinqüenta anos de enfarte e de cânceres diversos decorrentes de uma vida em que parar era coisa de frouxo ou de desocupado? Era comum a figura do homem que saía de manhã para batalhar por sua família enquanto a mulher ficava em casa cuidando dos “deveres domésticos”. E isso foi pregado de púlpito por pastores que não poucas vezes renunciavam à família “por amor a Jesus” e se esqueciam das advertências do apóstolo Paulo a respeito da primazia que o cônjuge tem na ordem das preferências ministeriais. O pastor, plenipotenciário, tinha tempo para os sermões, para o gabinete, para o púlpito, para as cruzadas, para as ovelhas, e em pouco tempo colhia os cacos da negligência de seus papéis divinos de marido e de pai, que só ele poderia estar exercendo. Preferiu delegá-lo à mãe. Ao invés da companheira ajudadora o homem ficava com a ajudadora, trampolim de seu “sucesso”. Não digo isso por especulação, meu irmão. Falo como quem já ouviu queixa de filhos de pastores que se ressentem dos pais, odeiam a igreja e já abandonaram há muito tempo o Cristo que era pregado do púlpito. Do mesmo modo será totalmente equivocado contemplar a ordenação de uma mulher que viva para o ministério renunciando o que é irrenunciável: o seu papel de mãe, esposa, ajudadora e companheira. Em síntese, o mundo masculino, tão desejado – e hoje conquistado – pelas mulheres, encontrava-se repleto de erros com respeito aos papéis do homem. Ignorava-se a exortação bíblica de que o homem deveria deixar a casa de seus pais e se unir com sua mulher para se tornarem uma só carne e, ao invés disso, o homem deixava seu pai e sua mãe, unia-se à sua mulher (afinal o sexo não poderia faltar), deixava-a em casa para que desempenhasse o seu papel de ser uma... “do lar”, e tornava-se uma só carne consigo, com seu sucesso, com sua corporação, ou com seu ministério. É por tal razão que não sou a favor dessa idéia de troca de papéis. Deus nos deu a graça de sermos homens, mas a graça não ignora a responsabilidade, do contrário pode ser qualquer coisa, menos graça. Sejamos nós, homens graciosamente responsáveis, sabedores do papel de lavadores de louça quando a mulher estiver esgotada (ou quando ela quiser mesmo é pintar as unhas para nos agradar ou agradar a si mesma), de pais que não trocam os filhos pela Bíblia ou por qualquer culto ou reunião, por mais sagrada que seja, de homens que tenham tempo para nossas mulheres e que não se importem nem um pouco de pensar a respeito de como seria útil fazer uma vasectomia no lugar de entupirmos nossas esposas de químicas contraceptivas porque temos medo do mito de que a vasectomia possa nos deixar impotentes. Por fim, que sejamos homens como Jesus, que não tinha outro papel que não fosse amar o mundo como o pai amou, ao ponto de conspirar com o Pai para a salvação do homem, entregando a sua vida na cruz do calvário por homens e mulheres. Que não tenhamos vergonha de apresentar uma nova qualificação, realmente digna da vontade de Deus. Começando por mim: Rodrigo Moura Coelho da Palma, brasileiro, casado, do lar, depois advogado, depois pastor, e o depois é o depois porque importa que busquemos primeiro o reino de Deus e sua justiça.
Orem por meu filho
Orem por meu filho
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