A gente cresce. Enquanto se é menino o mundo parece mágico e temos impressão de que as coisas que vemos são sempre imensas. Lembro-me que papai uma vez disse que íamos visitar um parente em Campo Grande, um bairro da grande cidade do Rio de Janeiro. Minha cabeça logo imaginou um campo enorme de futebol com muitas crianças correndo, jogando bola e soltando pipa. Mas a gente cresce. E quando se cresce parece que tudo perde o encanto. Tudo fica menor... Tão real. E a realidade é estranha. Lembro-me do encanto da primeira reunião de Embaixadores do Rei em que fui. Queria saber tudo, decorar tudo, ser arauto, escudeiro, conselheiro, ir no acampamento do Sítio do Sossego, queria ser o az (nunca consegui ser az nem acampante de honra).
No Sítio do Sossego eu orava em meu quarto da seguinte maneira: - Deus eu quero muito ser um az, se o Senhor me fizer ser az vou ser um menino muito obediente e mais crente (no fundo era o desejo de voltar para casa e exibir aquela linda medalha dourada para todos). Parece que Deus não ouviu minha oração... Pelo menos essa era minha impressão de menino. Mas a gente cresce e descobre que a vida é diferente, que as pessoas exigem da gente um comportamento e essa exigência, quando se é adolescente, é sempre chata. Acho que você concorda comigo, não? Nós temos muito medo do pecado, do castigo de Deus, e fica quase impossível descobrir Deus como um amigo real.
Se você tem fé, Deus não é um amigo imaginário. E é importante ainda na adolescência a gente descobrir que existe uma coisa chamada espiritualidade. A espiritualidade ensina a gente a encarar a realidade e ser não aquilo que exigem ou esperam da gente, mas aquilo que a gente vive e aprende na amizade com um Deus de verdade. Eu costumo chamar isso de a espiritualidade do Quartinho de Deus. Ninguém vê essa espiritualidade. Aquilo que a gente é quando ninguém está olhando. E não estou falando do que você faz com o seu computador dentro do quarto (se é que você tem um dentro do quarto). Estou falando sobre o que você sente e vive de Deus quando você não está na “igreja” no domingo, ou nas reuniões da organização, ou decorando ensinamentos para subir de posto. Amigão, digo isso a você porque sei que isso realmente fará uma enorme diferença no modo como você encarar a realidade. Quando a gente vive uma vida espiritual (o que não significa adotar um padrão como o do profeta Daniel: três vezes ao dia voltado para Jerusalém), o modo como a gente encara a vida fica totalmente diferente. Jesus, que sabia o que dizia, falou sobre a espiritualidade ao falar da oração que a gente faz no quarto. Aquela em que a gente fala com Deus coisas que ninguém ouve. Não precisa ser uma oração bonita, mas sem dúvida precisa ser a oração do coração, que expressa aquilo que você percebe, sente e espera de Deus. Eu entro no quarto e oro. Quando Jesus falou de quarto, não quis dizer que você tem de trancar o seu quarto, o que fica difícil se você divide seu quarto com seu irmão ou irmã. Aliás, isso não vai ser nada espiritual, principalmente se houver uma briga para ver quem usa o quarto primeiro.
O quarto na verdade é um lugar secreto e a gente quase não tem esse lugar hoje em dia. Tudo é público demais, tudo é conectado demais. Para se estar nesse lugar precisa-se de tempo para que você abra a boca e o coração para Deus. Eu acredito que você esteja pensando neste instante em como fazer essa oração ou em como viver essa espiritualidade. Vou tentar dar a você algumas dicas que tem funcionado comigo.
Fique sozinho. É muito importante que não haja ruído (e que o MSN esteja off line!). Ruído é toda espécie de distração. Então você tem que eliminar as distrações a fim de se concentrar de verdade no seu amigo.
Trate Deus como seu amigo. Como é que você trata o seu amigo? Será que você vai à casa... do Cabeça, por exemplo (vou usar esse apelido porque sempre existe um Cabeça entre nós!), e diz: Estimado Cabeça, você é meu nobilíssimo amigo. Aquele que tem me tratado com toda a distinção. Bem, não dá nem continuar. Isso tá bizarro. A turma – e o Cabeça – ia zoar você e por um apelido não muito agradável. Não é que tenhamos de chamar Deus de cara e perguntar qual é a dele. Jesus recomendava a palavra pai. Mas se você tiver dificuldade de chamar um papai de amigo, chame-o só de amigo. A verdade é que Deus escuta mais corações que palavras. O pai ouve e se relaciona com você. Sabe aquela minha oração do Sítio do Sossego? Descobri que ela revelava o quanto meu coração era ganancioso e o quanto eu queria aparecer. Não descobri isso porque alguém falou para mim, mas porque quando encontro Deus no quarto é como se a minha pátria fosse Nárnia (espero que você tenha visto o filme) e fora do meu quarto eu me tornasse um embaixador de Nárnia. Não que você tenha de fantasiar sua vida com Deus. A vida com Deus não é um conto de fadas. É realidade pura. Mas ao mesmo tempo depende de uma boa dose de imaginação, pensamento e visualização de Deus em nós e agindo através da gente. Quando saio de Nárnia e me encontro com a vida e vejo o mundo, vejo o quanto esse mundo precisa das atitudes de Deus por meio de mim. Eu sou um embaixador da reconciliação com Deus. Você é um embaixador do reencontro das pessoas com Deus, mas só se Deus for real no seu quarto.
Não use fórmulas. Há livros e livros falando de como orar, dizendo qual é a oração que dá certo (e qual dá errado). Não quero desestimular você, mas Deus não é bom em português, inglês ou francês (o que não significa não estudar para as provas de português e inglês). É que Deus escuta corações. Portanto, seja sincero.
Você alguma vez ousou dizer a Deus que você estava chateado com ele? (O que?! Chateado com Deus?!) Ué? Você prefere dizer que se alegra em sua presença e mentir enquanto ora? Fala sério! Tenho dois filhos, um de sete, outro de um mês. O mais velho uma vez mentiu para mim. Mentiu de novo. Eu perguntei mais uma vez a ele (eu tinha certeza de sua mentira porque era o tipo daquela besteira que você apronta e não dá para esconder, tava na cara, aliás aquela mentira tinha um mau cheiro terrível). Dei-lhe umas boas palmadas. Ele chorou, claro. Eu perguntei a ele por que ele tinha apanhado. Ele me disse? – Porque eu menti. Desculpe papai.
Cara, a mentira é pior que a besteira que você fez, seja ela qual for (o diabo é o pai da mentira, não das besteiras). Ora, Deus sabe o que você fez ou faz, então, se você quer parar de fazer porque o Espírito Santo está tocando em você para não fazer o que você mesmo tem achado em compreendido como errado, simplesmente não esconda dele nem invente uma boa razão para o seu deslize. Seja sincero.
Ah! Você quer saber se meu filho parou de mentir depois das palmadas? Bem... Sinceramente? Não, mas melhorou muito. Muito mesmo. Aprendeu que a mentira tem um custo muito alto. Toda mentira torna a amizade impossível. E se a amizade com Deus é impossível não será possível que em algum momento vejam Deus em você.
Chamei este artigo de O Quartinho de Deus porque todos nós necessitamos desse lugar secreto onde encontrá-lo e, na boa, esse lugar secreto não é a igreja. Você tem duas opções: ser a igreja (ser parte dela) ou estar em uma igreja. A primeira considero a melhor. Para ser parte da igreja de Cristo precisamos do lugar secreto. Só se vai à Nárnia quando se é criança. Só nos chegamos a Jesus quando nascemos de novo. Então, resumindo, temos aqui três dicas para a sua vida espiritual: ficar sozinho com Deus, tratá-lo como amigo e não usar fórmulas quando falar com ele.
Ah! Uma última dica: recomendo a leitura das Crônicas de Nárnia. Se você não tem o hábito de ler, veja os dois filmes: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa e Príncipe Cáspian. Seja como for, não deixe de ler Mateus, cap. 6,5-14.
No Sítio do Sossego eu orava em meu quarto da seguinte maneira: - Deus eu quero muito ser um az, se o Senhor me fizer ser az vou ser um menino muito obediente e mais crente (no fundo era o desejo de voltar para casa e exibir aquela linda medalha dourada para todos). Parece que Deus não ouviu minha oração... Pelo menos essa era minha impressão de menino. Mas a gente cresce e descobre que a vida é diferente, que as pessoas exigem da gente um comportamento e essa exigência, quando se é adolescente, é sempre chata. Acho que você concorda comigo, não? Nós temos muito medo do pecado, do castigo de Deus, e fica quase impossível descobrir Deus como um amigo real.
Se você tem fé, Deus não é um amigo imaginário. E é importante ainda na adolescência a gente descobrir que existe uma coisa chamada espiritualidade. A espiritualidade ensina a gente a encarar a realidade e ser não aquilo que exigem ou esperam da gente, mas aquilo que a gente vive e aprende na amizade com um Deus de verdade. Eu costumo chamar isso de a espiritualidade do Quartinho de Deus. Ninguém vê essa espiritualidade. Aquilo que a gente é quando ninguém está olhando. E não estou falando do que você faz com o seu computador dentro do quarto (se é que você tem um dentro do quarto). Estou falando sobre o que você sente e vive de Deus quando você não está na “igreja” no domingo, ou nas reuniões da organização, ou decorando ensinamentos para subir de posto. Amigão, digo isso a você porque sei que isso realmente fará uma enorme diferença no modo como você encarar a realidade. Quando a gente vive uma vida espiritual (o que não significa adotar um padrão como o do profeta Daniel: três vezes ao dia voltado para Jerusalém), o modo como a gente encara a vida fica totalmente diferente. Jesus, que sabia o que dizia, falou sobre a espiritualidade ao falar da oração que a gente faz no quarto. Aquela em que a gente fala com Deus coisas que ninguém ouve. Não precisa ser uma oração bonita, mas sem dúvida precisa ser a oração do coração, que expressa aquilo que você percebe, sente e espera de Deus. Eu entro no quarto e oro. Quando Jesus falou de quarto, não quis dizer que você tem de trancar o seu quarto, o que fica difícil se você divide seu quarto com seu irmão ou irmã. Aliás, isso não vai ser nada espiritual, principalmente se houver uma briga para ver quem usa o quarto primeiro.
O quarto na verdade é um lugar secreto e a gente quase não tem esse lugar hoje em dia. Tudo é público demais, tudo é conectado demais. Para se estar nesse lugar precisa-se de tempo para que você abra a boca e o coração para Deus. Eu acredito que você esteja pensando neste instante em como fazer essa oração ou em como viver essa espiritualidade. Vou tentar dar a você algumas dicas que tem funcionado comigo.
Fique sozinho. É muito importante que não haja ruído (e que o MSN esteja off line!). Ruído é toda espécie de distração. Então você tem que eliminar as distrações a fim de se concentrar de verdade no seu amigo.
Trate Deus como seu amigo. Como é que você trata o seu amigo? Será que você vai à casa... do Cabeça, por exemplo (vou usar esse apelido porque sempre existe um Cabeça entre nós!), e diz: Estimado Cabeça, você é meu nobilíssimo amigo. Aquele que tem me tratado com toda a distinção. Bem, não dá nem continuar. Isso tá bizarro. A turma – e o Cabeça – ia zoar você e por um apelido não muito agradável. Não é que tenhamos de chamar Deus de cara e perguntar qual é a dele. Jesus recomendava a palavra pai. Mas se você tiver dificuldade de chamar um papai de amigo, chame-o só de amigo. A verdade é que Deus escuta mais corações que palavras. O pai ouve e se relaciona com você. Sabe aquela minha oração do Sítio do Sossego? Descobri que ela revelava o quanto meu coração era ganancioso e o quanto eu queria aparecer. Não descobri isso porque alguém falou para mim, mas porque quando encontro Deus no quarto é como se a minha pátria fosse Nárnia (espero que você tenha visto o filme) e fora do meu quarto eu me tornasse um embaixador de Nárnia. Não que você tenha de fantasiar sua vida com Deus. A vida com Deus não é um conto de fadas. É realidade pura. Mas ao mesmo tempo depende de uma boa dose de imaginação, pensamento e visualização de Deus em nós e agindo através da gente. Quando saio de Nárnia e me encontro com a vida e vejo o mundo, vejo o quanto esse mundo precisa das atitudes de Deus por meio de mim. Eu sou um embaixador da reconciliação com Deus. Você é um embaixador do reencontro das pessoas com Deus, mas só se Deus for real no seu quarto.
Não use fórmulas. Há livros e livros falando de como orar, dizendo qual é a oração que dá certo (e qual dá errado). Não quero desestimular você, mas Deus não é bom em português, inglês ou francês (o que não significa não estudar para as provas de português e inglês). É que Deus escuta corações. Portanto, seja sincero.
Você alguma vez ousou dizer a Deus que você estava chateado com ele? (O que?! Chateado com Deus?!) Ué? Você prefere dizer que se alegra em sua presença e mentir enquanto ora? Fala sério! Tenho dois filhos, um de sete, outro de um mês. O mais velho uma vez mentiu para mim. Mentiu de novo. Eu perguntei mais uma vez a ele (eu tinha certeza de sua mentira porque era o tipo daquela besteira que você apronta e não dá para esconder, tava na cara, aliás aquela mentira tinha um mau cheiro terrível). Dei-lhe umas boas palmadas. Ele chorou, claro. Eu perguntei a ele por que ele tinha apanhado. Ele me disse? – Porque eu menti. Desculpe papai.
Cara, a mentira é pior que a besteira que você fez, seja ela qual for (o diabo é o pai da mentira, não das besteiras). Ora, Deus sabe o que você fez ou faz, então, se você quer parar de fazer porque o Espírito Santo está tocando em você para não fazer o que você mesmo tem achado em compreendido como errado, simplesmente não esconda dele nem invente uma boa razão para o seu deslize. Seja sincero.
Ah! Você quer saber se meu filho parou de mentir depois das palmadas? Bem... Sinceramente? Não, mas melhorou muito. Muito mesmo. Aprendeu que a mentira tem um custo muito alto. Toda mentira torna a amizade impossível. E se a amizade com Deus é impossível não será possível que em algum momento vejam Deus em você.
Chamei este artigo de O Quartinho de Deus porque todos nós necessitamos desse lugar secreto onde encontrá-lo e, na boa, esse lugar secreto não é a igreja. Você tem duas opções: ser a igreja (ser parte dela) ou estar em uma igreja. A primeira considero a melhor. Para ser parte da igreja de Cristo precisamos do lugar secreto. Só se vai à Nárnia quando se é criança. Só nos chegamos a Jesus quando nascemos de novo. Então, resumindo, temos aqui três dicas para a sua vida espiritual: ficar sozinho com Deus, tratá-lo como amigo e não usar fórmulas quando falar com ele.
Ah! Uma última dica: recomendo a leitura das Crônicas de Nárnia. Se você não tem o hábito de ler, veja os dois filmes: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa e Príncipe Cáspian. Seja como for, não deixe de ler Mateus, cap. 6,5-14.
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